Sair de casa para estudar em outra cidade com certeza foi um dos fatos mais marcantes na vida de Carolina. Hoje, com 26 anos, tem um ar saudosista em suas palavras. Me contou sobre vantagens e os desafios de viver sozinha, longe dos pais, dos irmãos, e, assim, aprender a conviver com pessoas totalmente diferentes, a conviver consigo mesma, e a entender e testar necessidades e limites.
O ano era 2005. Após três anos de cursinho pré vestibular, entrou para a faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp. Viriam pela frente seis anos de luta, esforço, dedicação, aventuras, saudades e muito aprendizado. Conta como sentiu falta de sempre ter o cheirinho do almoço da mãe esperando por ela todos os dias (o que, às vezes, não valorizamos!), de como sentia falta das conversas de madrugada com os três irmãos – essas, que muitas vezes eram feitas via e-mail ou MSN, quando se encontravam online, quando ela se mudou. Disse que sentia falta até das broncas do pai – quando ela queria sair todo final de semana, e ele achava que ela tinha que ficar em casa e estudar. Mas, na verdade mesmo, conta que estava com medo do que viria pela frente, do que teria que enfrentar, das responsabilidades de crescer e da preguiça que tinha só de pensar em ter que escolher qual pilha seria prioridade: a de livros para ler ou a de roupa suja para lavar...Mudou-se para uma kitnet, em que morava sozinha. Logo no primeiro ano da faculdade, começou a namorar. As responsabilidades iam aumentando na medida em que passava o tempo. No ínício, todos os finais de semana estava em São Paulo – a família esperava ansiosa pela sua volta, para saber as novidades, contar ou “causos” de Campinas e matar a saudades de quem não estava mais presente todos os dias debaixo das asas dos pais.
Cada semestre, os trabalhos iam aumentando. Os finais de semana iam diminuindo, as visitas também. Carol quase não voltava para São Paulo. Era mais fácil até quando os pais iam para Campinas visitá-la. Aquela visita rápida... Almoçar junto, ou assistir a um jogo de futsal (sim, isso é uma das paixões da vida dela!). Toda entrega de projeto da faculdade era sempre um parto, um sofrimento, assistido por grandes amigos que encontrou durante aqueles anos e que levará para as outras fases da vida. Amigos estes que a acompanharam nos estudos para as impossíveis provas de cálculo, mas, não menos importantes, os companheiros das viagens inesquecíveis e das festas nas repúblicas mais agitadas!
Lembra, também, das brigas com o namorado, os amigos de São Paulo reclamando sua ausência, os finais de semana mais rápidos que já havia passado na vida... O tempo foi pequeno quando comparado a experiência adquirida durante esse período.
Os frutos estão sendo colhidos. Mais forte, mais independente, graças aos desafios encarados e dos tombos que teve que levantar sozinha, embora tenha tido toda a estrutura e base familiar necessária.
Voltou para casa dos pais no começo de 2011. Agora, pra ficar. Em fevereiro, conseguiu um emprego. Nova fase, nova vida, com a família de novo.
“Agora é esperar pelas novas fases que estão por vir e colocar em prática o que aprendi graças ao investimento de meus pais, à compressão de minha família e amigos, e, principalmente, da vontade e da coragem de vencer que tive. E, sem dúvidas, faria tudo de novo!”










