quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Happy Feet


por Beatriz Backes

"Sapatear é fazer o coração bater na ponta dos pés" (Luizz Baldijão)



Já aos 8 anos, Luizz já se diferenciava das outras crianças ao começar pelo seu ídolo: Fred Astaire. Ele costumava assistir aos filmes do astro na Sessão da Tarde. Seu grande sonho, a partir daí, era dançar.

Como sua família era muito tradicional - e seu pai, faixa preta de judô -, o sonho foi a princípio ignorado: "Me colocaram para fazer judô e é claro que não deu certo", ele ri. "Para uma parte da minha família, quem dançava era gay".





Aos 17 anos, o garoto deu início ao curso de agronomia na Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Apesar de ter achado algo que gostava, Luizz nunca esqueceu a paixão pelo sapateado.

Às vésperas de concluir a graduação, uma escola de danças foi inaugurada bem ao lado do prédio no qual ficava a república onde morava. Sem nem pensar duas vezes, Luizz cancelou as aulas de inglês que cursava e, com o dinheiro que os pais lhe mandavam com esta finalidade, deu entrada na sua paixão.

Para a inauguração da academia, Luizz compareceu à "aula aberta", na qual os professores mostraram os vários estilos de danças. Ele conta que logo ficou encantado com o som dos sapatos e, ao acabar a aula, ele foi direto fazer a matrícula. Nas primeiras aulas, ele era o único aluno, mas a escola decidiu bancar a situação para incentivar a entrada de novos dançarinos.

Luizz, no começo, se sentiu um "patinho fora d'água", mas, motivado por toda a trajetória de seus ídolos e persistente como só ele podia ser, o quase agrônomo insistiu na dança. Claro que ele chegou a trabalhar na área de graduação, como no INCRA, em 1985. "Mas, de repente, o sapateado virou a minha vida".

Ao ganhar, em um programa de televisão, uma passagem para Nova Iorque, o aprendiz se profissionalizou e se internacionalizou. "Lá, eu ganhei uma bolsa de estudos, o que me fez decidir morar um tempo nos Estados Unidos".

A mudança de país, de idioma e de cultura mostrou a ele como este âmbito era deficiente no Brasil. "O nosso país nem tinha, se quer, mercado para isso. Então, quando voltei, eu construí estradas para colocar os meu carrinhos. Depois, mais estradas para os carrinhos seguirem em frente", relata Luizz, que, dessa forma, ajudou a criar espaço para o sapateado americano no país.

Hoje, Luizz dá aulas de sapateado em uma das principais escolas de dança de São Paulo - Anacã -, e tem duas Companhias de Dança: Meninos Sapateadores de Campinas (que trabalha apenas com crianças e jovens de baixa renda) e Tugurugudá, sendo, também, um dos principais nomes deste estilo de dança no Brasil.








Esta foi a participação global de Luizz, na abertura da série do Fantástico.


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