quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Viagem

Por Michelle Borges


Camila Blass tinha 16 anos quando viajou para Vancouver, no Canadá, para fazer um curso de verão. Por ser a primeira vez que viajava sozinha para fora do país, a jovem estava com medo. A ideia de ficar hospedada na casa de uma família completamente desconhecida e diferente da sua e que se comunicava em outro idioma era realmente assustadora. “Quando a minha mãe veio com a ideia de eu fazer um intercâmbio, quase surtei. Tinha apenas 16 anos e era muito dependente”, explica.

A PRIMEIRA IMPRESSÃO
O início da viagem não foi muito feliz. Durante a conexão em Toronto, Camila descobriu que a sua mala havia sido extraviada. Ela conta que se não fosse pela aeromoça que a ajudou, talvez nunca mais tivesse visto as suas roupas. “No dia seguinte, recebi a minha mala na casa em que passaria um mês”, conta. A princípio, Camila teve uma impressão negativa da cidade, porém, com o passar dos dias a sua opinião foi mudando. Na época, Vancouver era considerada a melhor cidade para se viver no mundo.

A adolescente ficou hospedada na casa de uma família de origem chinesa. “Eu tinha uma mãe, uma pai, um irmãozinho e uma irmão da mesma idade que eu. Eles eram muito legais. Fomos ao shopping, jogamos golfe e baseball, fizemos churrasco e muitas outras coisas juntos”, ela recorda.

A casa em que morou ficava em North Vancouver, uma área mais afastada e calma, cheia de árvores típicas das montanhas. Camila lembra que logo no primeiro dia, seu pai adotivo lhe ensinou como deveria agir caso encontrasse um urso. “Achei que fosse brincadeira, mas não era. Realmente corria o risco de encontrar um urso no quintal de casa. Ainda bem que só encontrei esquilos e passarinhos”, ela explica com um sorriso.

BONS MOMENTOS
O curso de intercâmbio consistia em aulas de inglês pela manhã, passeios culturais durante a tarde e viagens aos fins de semana. Em um mês, Camila já tinha conhecido toda a cidade e seus museus, parques e shoppings. Ela gostou de todos os passeios, mas lembra com mais carinho de uma viagem que fez para Vitoria, a capital da Colúmbia Britânica. “Foi uma viagem memorável. Um dos melhores passeios que eu fiz foi o whale watching, a gente pegou um bote e foi para o oceano ver as baleias. Foi emocionante”.


Camila também lembra com carinho das amizades que cultivou durante este período de aprendizado. Ela se apegou tanto aos novos amigos que em uma semana já eram uma família. “O fato de sermos  adolescentes sozinhos em um país desconhecido fez que nós nos uníssemos”, comenta. A maioria das pessoas que conheceu por lá era brasileira, mas também conviveu com mexicanos, turcos e chineses. A jovem ainda se impressiona com a facilidade com que se integrou com os novos conhecidos e explica que mesmo viajando sozinha para um país diferente, nunca se sentiu sozinha, pois todos se ajudavam. 


O FIM
Quando o intercâmbio já estava chegando ao fim, Camila já se sentia em casa na cidade antes estranha e desconhecida. Por isso, sofreu muito na hora da despedida. “Sofri muito para voltar, pois, após um mês, já estava muito apegada às pessoas e ao país. Chorei muito nos últimos dias de viagem e nos primeiros de volta ao Brasil”.  Camila conta que os seus maiores problemas são o fato de ser bastante saudosista e se apegar demais às pessoas.

O fim da viagem foi tão confuso e desorganizado como o seu início.  No momento em que foi fazer o check in no aeroporto, Camila descobriu que havia ocorrido overbook no seu voo. Por causa do imprevisto, teve que voltar para a casa em que estava hospedada. “Fiquei feliz bem feliz por ficar mais um dia no país, e foi bom porque ganhei uma passagem para voltar na primeira classe”. 

O IMPACTO
Hoje, aos 21 anos, Camila considera o intercâmbio no Canadá um fato marcante em sua vida, pois lhe ajudou a se tornar uma pessoa mais independente. “Eu era uma adolescente muito bobinha, não me virava sozinha, mas mudei muito com essa experiência”, explica. Foi lá que, mesmo se perdendo, aprendeu a se virar e a andar sozinha de metrô e de ônibus. “Quando voltei para São Paulo, comecei a ser mais independente.  Foi bom passar um mês longe de casa”, ela avalia.  Ela conta que, além de praticar e melhorar os seus conhecimentos da língua inglesa, a experiência lhe ensinou a olhar o outro de maneira diferente, respeitando as diferentes culturas e etnias existentes.





Ao conhecer a história de Camila, me lembrei dessa música da cantora norte-americana Kelly Clarkson. A letra fala sobre se arriscar, encarar novos desafios e amadurecimento.

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