Das decisões que já tomou em toda a sua vida, a mais difícil foi a da separação. Já eram quase 15 anos de casamento, 3 filhos e muitas, muitas situações de violência.
Josimara - ou simplesmente Mara - se casou cedo, aos 18 anos, ainda que suas famílias (a de sangue e a que deu uma vida digna com um emprego) fossem contra. Naquela época, o futuro marido era encantador. Mara se apaixonou pelas palavras doces, pelas flores, pela delicadeza e atenção.
Depois do nascimento do primeiro filho, Washington, com um pouco mais de um ano de casamento, Mara percebeu um certo distanciamento do marido para com ela. O carinho não era mais o mesmo, as palavras se tornaram um pouco mais duras... Mas, para ela, isso era apenas por conta da atenção e do seu tempo que era mais empregado ao bebê do que ao marido.
Veio o segundo filho, Gabriel, e as coisas só pioraram. Quando o pequeno tinha menos de seis meses, veio a primeira violência física. Mara apanhou do marido por não ter preparado o jantar dele.
A frequência desses episódios aumentou com a chegada do terceiro menino: Daniel. Ela conta que o marido já chegava em casa alterado. "Ele nunca chegava cedo... Sempre depois da meia noite. E sempre bêbado".
Após sete anos de violência, algumas visitas ao hospital e à delegacia para exame de corpo e delito, Mara se decidiu. Não podia mais viver daquela maneira, mostrando aos filhos um lado da vida que não é correto, incentivando - ainda que veladamente - a violência e o crime.
Em uma noite, ela fez questão de esperar o marido para comunicar-lhe sua decisão: iria pedir o divórcio. Ele não aceitou. Gritou com ela, a chamou de todos os adjetivos pejorativos e todos os nomes impronunciáveis em uma conversa civilizada. A acusou de traição.
O barulho acabou acordando as crianças, que foram para a sala ver o que estava acontecendo e para assistir a mãe apanhando. O mais velho, Washington, por puro reflexo, avançou sobre o pai. Mas o que poderia fazer um menino de quase 15 anos diante de um homem fora de si?
Aquela foi a gota d'água. Mara, assim que reuniu forças, arrumou suas malas, pegou as crianças no colégio e foi à delegacia. Ainda no meio do caminho, ligou para o filho de sua patroa, o seu Renato, para pedir ajuda jurídica no processo de separação.
Deu-se, então, o início de uma nova fase, que Mara esperava que fosse muito melhor do que a que deixava para trás.
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