Eu sou a Mari Monzani, 22 anos, estudante de Jornalismo, quase formada. Sempre gostei muito de boas histórias e esse blog foi uma ótima oportunidade de conhecer novas boas histórias.
Então, se a proposta é falar sobre fatos marcantes na vida de algumas pessoas que vamos escolher como cobaias, quer dizer, como entrevistados, vou falar sobre um fato que marcou muito minha vida. No começo pode parecer simples, mas na minha vida, fez uma enorme diferença!
A experiência de ser titia Uma mesticinha com olhos grandes de mangá, que nasceu em 28 de março de 2006, numa terça-feira de calor. Era horário de almoço, e estávamos na recepção da maternidade, meus pais, eu e minha irmã. Era a primeira netinha dos meus pais, e era nossa primeira sobrinha. Por volta das 13h30 meu irmão apareceu na recepção, pálido, sorrindo, nos contando que a Julinha havia nascido. Vi meu pai chorar. Nunca tinha visto aquela cena...
Corremos para ver a pequena que acabava de chegar. Olhos atentos para dentro do berçário e ver a enfermeira dando o primeiro banho da Juju. Mãos pequenininhas, olhinhos ainda fechadinhos por conta da claridade intensa, choro estridente ao sentir o calor da água, e mais uma vez, o choro de quem não se segurava: a nova vovó e o novo vovô.
Eu tinha 16 anos, não tinha muita paciência com crianças... Mas quando peguei a minha Julinha no colo, parece que tudo mudou. Tê-la do meu lado me transformou numa pessoa muito melhor, menos egoísta. Ela me ensinou tanta coisa, me deu um amor incondicional, sincero, e ela tão pequena, ainda. Aprendi a ter paciência. Aprendi que eles nos dão tudo sem nos pedir nada em troca.
E eu me descobri uma tia e tanto... Pegá-la no colo, ainda com meses de vida, e mesmo eu desajeitada, tia de primeira viagem, e ver o olhar sincero de uma criança, que não te conhece, mas que se sente segura no calor dos seus braços. Vê-la sorrindo quando a tia boba aqui fazia mil palhaçadas em frente ao berço. Achar liiindo quando ela conseguiu se equilibrar sozinha para ficar sentadinha. Querer mordê-la quando aprendeu a bater palminhas. Abraçá-la e apertá-la, sem ela entender nada, quando ouvi o primeiro “titia”. Me emocionar ao ver os primeiros passinhos... Chorar de imensa saudade quando ficou longe por um ano! Chorar de imensa emoção ao reencontrá-la, de braços abertos, meio tímida, mas feliz em me ver...
Pra mim, titia pode tudo. Posso ouvir atentamente, horas e horas, todas as pequenas histórias que ela tem para me contar. Faço o possível para acabar com as pequenas aflições dela. Rio sempre com suas imensas gargalhadas... Não rio somente com a boca, rio com a alma e com o coração. Aproveito cada momento que passamos juntas, sempre nos deixando muitas histórias para contar. Porque eu, como tia, tenho a liberdade de fazer somente o que é gostoso... Brincar, fazer “arte”, ser companheira da minha pequena, fazer bolinhas de sabão num domingo à tarde, dar banho e lavar os joelhos sujos da pequena, de tanto brincar no parquinho. Deixando para o meu irmão e para a minha cunhada a parte mais difícil – serem pais! O bom de ser tia é que dormimos todas as noites...
E eu vejo como ela é importante na minha vida porque eu amo uma pessoinha que não é minha, mas eu pertenço a ela. Acompanho a vida dela, que passa a fazer parte da minha...
Sou titia de mais um, o Luque – que nasceu no período do ano em que as famílias ficaram afastadas, mas eu o amava mesmo antes de conhecê-lo e revivi a emoção como foi da primeira vez, intensa. Ele e a Juju são as paixões da minha vida!
É realmente apaixonante...